No sertão, Polícia apreende celular de jovem em investigação sobre ataques à vereadora em Santa Helena
Segundo as informações, ele vinha gravando as sessões da Câmara Municipal, que já são transmitidas publicamente pelo YouTube. Trechos das falas da vereadora eram compartilhados e comentados por integrantes de grupos de WhatsApp, entre eles João Filho, por meio de mensagens e áudios.

O caso envolvendo a vereadora Fabiana, de Santa Helena, teve um novo capítulo nesta terça-feira (3). A Polícia apreendeu o celular de João Filho, jovem ligado a um grupo político adversário da parlamentar.
Segundo as informações, ele vinha gravando as sessões da Câmara Municipal, que já são transmitidas publicamente pelo YouTube. Trechos das falas da vereadora eram compartilhados e comentados por integrantes de grupos de WhatsApp, entre eles João Filho, por meio de mensagens e áudios.
Segundo as informações que estão sendo apuradas, durante meses, as falas da parlamentar eram retiradas dos vídeos e levadas para grupos ligados à oposição. Além das críticas ao trabalho da vereadora, também havia comentários envolvendo sua família.
Fabiana, única mulher entre os vereadores da Câmara, vinha enfrentando essa situação há meses. O grupo reunia militantes políticos e pessoas que apoiavam vereadores da oposição. As conversas envolviam críticas frequentes à parlamentar.
Com o passar do tempo, Fabiana relatou que a situação estava afetando sua saúde. Ela chegou a pedir medida protetiva, após episódios que considerou provocativos, incluindo a presença frequente do jovem na Câmara.
Recentemente, a vereadora decidiu falar sobre o que estava acontecendo na tribuna. Seu desabafo ganhou repercussão e chamou a atenção da população.
Após a apreensão do celular, João Filho apresentou à imprensa uma versão de que o motivo da ocorrência seria apenas o fato de filmar a vereadora durante as sessões.
QUEM DETERMINOU A INVESTIGAÇÃO?
Um ponto importante precisa ser esclarecido: a investigação não foi solicitada pela vereadora Fabiana.
O próprio Ministério Público Eleitoral (MPE), ao identificar indícios de possíveis irregularidades, determinou a abertura de um inquérito policial na Delegacia de Polícia Civil de São João do Rio do Peixe.
O procedimento investiga uma possível prática do crime previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral, que trata da violência política contra a mulher.
A Polícia também deverá investigar a origem das publicações, a possível utilização de números falsos, conhecidos como fakes, e quem produzia e compartilhava os conteúdos.
O QUE PRECISA FICAR CLARO
Gravar uma sessão pública da Câmara não é crime. Qualquer cidadão pode acompanhar e registrar o trabalho dos vereadores.
O que está sendo investigado é se essas gravações foram utilizadas para promover ataques, ofensas, constrangimentos ou ameaças contra uma mulher que exerce um mandato público, inclusive com comentários envolvendo seus familiares.
A investigação foi determinada pelo Ministério Público Eleitoral e segue sob responsabilidade das autoridades policiais, que deverão esclarecer os fatos e identificar eventuais responsáveis.



