
O ex-ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou prisões generalizadas após o ataque aos Três Poderes, em Brasília, e disse que o momento exige moderação. As declarações foram feitas em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta quarta-feira (11).
De acordo com o ex-ministro, apenas os que depredaram o patrimônio público deveriam ser responsabilizados. Mello criticou a prisão dos que estavam acampados na frente do QG em Brasília. “Já tivemos a prisão de centenas de pessoas. Vamos com calma e compreensão. Nada surge sem uma causa é preciso elucidar os fatos. A generalização é sempre perigosa”, disse.
O ministro aposentado também informou que errou ao elogiar o ministro Alexandre de Moraes quando foi escolhido a integrar a corte do Supremo.
“Ele realmente não vem contribuindo para a paz social. Não vou tecer considerações maiores, e olha que o conheço há muitos anos”, disse Mello em entrevista à Rádio Bandeirantes.
Na época da queda do avião em que faleceu o ministro Teori Zavascki, fui questionado por jornalistas quanto ao que se faria, como seria preenchida a cadeira, e disse que o presidente Michel Temer tinha um homem talhado para a cadeira: foi professor universitário, foi do Ministério Público, foi secretário de Segurança Pública do prefeito [Gilberto] Kassab e do governador Geraldo Alckmin, ministro da Justiça. Vejo que errei redondamente. Ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello
“Se eu estivesse na bancada, não endossaria esse ato de força”, afirmou. “Não viveremos dias melhores no Brasil com atos de força, que não tivemos sequer na época do regime de exceção. Vamos marchar com temperança”.
Na época da escolha de Moraes, em 2017, Mello disse que ele era “um homem talhado para a cadeira” e durante a entrevista de hoje lamentou: “vejo que errei redondamente”.